CONVERSAS COM UMA ENTIDADE DO REINO VEGETAL

Por  Nilton T.

 Moro num Parque, no meio da floresta, em algum lugar da Serra da Mantiqueira.

Do portão de entrada do Parque, sempre subindo, chega-se, por uma estrada, ao cume, de onde se avista toda a cidade, assim como a região. Essa estrada tem uns 3km e termina neste cume. É verdade que essa estrada, quase toda de terra, andava meio esburacada em alguns trechos.

Uns voadores de asa-delta, que de vez em quando costumam saltar lá de cima, foram à Prefeitura pedir que a mesma aplainasse a estrada, pois estava difícil subir em seus carangos, formados de Fuscas velhos e Brasílias escangalhadas.

A Prefeitura, diligente, mandou três tratores, que durante um dia deu conta do serviço. Hoje fui fazer uma caminhada. A estrada parece uma pista de Fórmula 1, de tão plaina e larga que ficou. Fiquei pensando se não colocariam também semáforos e guardas de trânsito para disciplinar tão importante pista, de tráfego quase inexistente. Nesse processo, toda a vegetação lateral da estrada sumiu, para o alargamento da pista. Alguns arbustos foram cortados. Então comecei a lembrar-me que esse tipo de procedimento é bastante comum. Por qualquer motivo corta-se uma árvore, devasta-se uma mata. Isso, é claro, em nome do pogreçio. Quando cheguei aqui, há uns 8 anos, vi que aqui isso era comum. O que um empregado fazia com maior satisfação era levantar de manhã, tomar seu café, sair com um machado no ombro e ver quantas árvores e arbustos iria cortar naquele dia, tudo, é claro, para deixar o ambiente mais bonito. Dizia:

_A gente temos que deixar tudo bonito, moço. Vem aqui aqueles homi chique lá de Sun Palo e o senhor sabe como eles veve lá. Lá é tudo asfartado, tudo limpinho, tudo bonito. A gente temos que deixar eles aqui como se tivesse em casa, sinão vão pensá que a gente aqui é tudo jacu.

Então eu ficava pensando nesses grã-finos de São Paulo. Se era assim, não seria melhor acamparem na Praça da República? Lá é tudo asfaltado, cercado de adifícios artos. Nessa Praça também há árvores. Além disso não iriam achar que somos todos jacus. Felizmente as coisas mudaram para melhor e hoje é muito mais raro cortar-se uma árvore aqui.

Mas, pensava eu nessas coisas quando acontece o quê? Recebo em minha mente uma voz que se apresentou como uma árvore e dizia representar o coletivo das árvores. No que se segue, tentarei ser o mais fiel possível à conversa interessantíssima que se seguiu entre mim e essa entidade. Não foi uma canalização; foi uma conversa. Não pude tomar nota de nada, pois não tinha lápis nem papel.

A árvore disse, inicialmente, que eu não deveria ficar triste com o que acontecera. "Estamos acostumadas com esse tipo de coisas há milhares de anos", ela disse. "Veja você, o dano para nós foi muito pequeno; na verdade alargaram a estrada e apenas alguns arbustos e a vegetação dos lados foi cortada. Esta cresce logo. E é provável que esses trabalhadores não mais aparecerão por aqui. Já mostraram serviço, já trouxeram o "pogreçio" para cá, como você diz."

Perguntei se as árvores ficam estressadas com esse tipo de coisa. "Ficamos sim, ela disse. Somos como vocês. Existe um estresse natural, fisiológico, como vocês dizem, que é um sinal que o corpo manda na iminência de algum perigo. Isso também acontece conosco. Quando vimos essas máquinas vindo para cá também sofremos esse estresse natural, pois não sabemos o que vai acontecer. O ser humano é imprevisível e frequentemente o que vem é destruição. Então, no nosso caso aqui, quando vimos que vieram somente para aplainar e alargar a estrada, ficamos mais tranquilas e o estresse foi passando. Procure fazer o mesmo, irmãozinho. Deixe esse estresse se dissipar. O estresse é ruim quando persistente. Aí você sabe que gera uma série de doenças; também, a nossa vibração cai. No momento atual é importante mantermos a nossa vibração o mais alto possível. Mas esse estresse fisiológico é bom. Serve para nos proteger de algum perigo, rapidamente.

Perguntei como a devastação andava, de um modo geral, no mundo. Ela disse que a devastação era constante."Muitas florestas, bosques, matas sofrem um processo de devastação há milênios, como eu disse. Isso, é claro, nos traz muito estresse. Já pensou se acumulássemos esse estresse? Hoje nós, as sobreviventes, estaríamos todas doentes."

A conversa prosseguiu. "É verdade, perguntei, que vocês todas se comunicam, não só numa região, mas em lugares longínquos, inclusive em outros continentes?" "É verdade, irmãozinho. Nos comunicamos todas no mundo inteiro. Sabemos tudo o que se passa conosco em qualquer lugar". "E como isso é feito? perguntei. "Somos muito parecidas com vocês. Vocês também não se comunicam com outros humanos em outros lugares, inclusive em outras dimensões? Vocês usam a telepatia e também usam palavras, como nós estamos fazendo agora. Nesse tipo de comunicação entre nós usamos algo parecido com a telepatia. Mas existem outras formas. Isso ocorre também com os animais e as rochas que, como você sabe, também são seres vivos.". Perguntei: "As rochas também ficam estressadas?" "Sim, também são sensíveis. Você sabe que nossas irmãzinhas, as rochas, são devastadas em muitos lugares do planeta. Muitas são explodidas por diversas razões, outras são quebradas. Quando percebem que humanos se aproximam com determinados apetrechos que elas já conhecem, também ficam estressadas."

Nesse ponto não me lembro como evoluiu a conversa, mas de repente notei que falávamos da mídia. Eu dizia que a televisão, jornais, filmes, frequentemente estão programadas para trazer medo as pessoas. "Nós sabemos disso", ela respondeu. "Temos acompanhado esse processo". Isso me surpreendeu. Perguntei: "Como vocês sabem disso?" "Por várias fontes, ela disse tranquilamente. Primeiro, que muitos irmãos humanos, como você, nos contam. Também observamos o que ocorre ao nosso redor. Veja um exemplo comum nas cidades: uma pessoa vai à uma banca de revistas e compra um jornal e então vai lê-lo em uma praça, ali perto, na sombra, embaixo de uma árvore. Então ele começa a ler. Sentimos que, conforme ele lê certas notícias, sua vibração, que de uma modo geral, já não era muito alta, começa a diminuir. Nós somos muito sensíveis à variação de vibração, mais que vocês. Muitos de vocês também percebem quando alguma pessoa de baixa vibração se aproxima, não é? Conforme vocês aumentam a vibração, mais vocês percebem isso. Em relação à televisão, é a mesma coisa. Várias estão instaladas perto de plantas, embaixo de árvores. Percebemos quando o medo, o ódio se apropria das pessoas, vendo certos programas e assistindo a certos filmes. Mas também percebemos quando a vibração de vocês aumenta quando fazem certas leituras ou assistem determinados filmes que trazem paz, harmonia. O importante, irmãozinho, é não deixarmos a vibração cair. Nós, como vocês, como os animais e as rochas, estamos aqui, nesse momento, por uma só razão: ajudar na ascensão da Terra e de todos nós. Como você bem sabe, somos todos UM. Por isso, o que afeta uma árvore afeta todas as outras e afeta também todos os seres vivos que estão na Terra. Somos UM. Vamos unir nossos esforços, irmão, porque trabalhamos pela mesma causa. Temos, todos os seres vivos, muito mais semelhanças do que você pensa. Também somos a Fonte, como vocês.

"Certo. E a libertação, as mudanças estão chegando?", perguntei. "Sabemos que sim. Há muito estão acontecendo. Vamos todos nos unir. Vocês devem estar notando que cada vez mais pessoas de vibração parecida estão se juntando, não é? Pois está na hora de nos juntarmos . Todos nós, humanos, reino vegetal, animal, mineral. Somos todos a mesma coisa, irmãozinho. Estamos todos aqui para o mesmo fim."

                                                                                     Que a Luz verdadeira ilumine a todos. 

26.9.2016